Vida Durante & Depois da Pandemia do Corona Vírus + Vacina | Belle Na América

Eu voltei de NYC no dia em que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado na cidade (1 de março de 2020). Duas semanas depois eles anunciaram o shut down. Eu lembro bem que demorei pra acreditar que a gente tava vivendo isso. E várias vezes eu disse que isso passaria logo, que até parece que a gente ia ter uma pandemia em pleno século 21. A gente é mais espero que isso! Eu negacionista? Não, em negação mesmo! diferente desse povo que até hoje diz que o vírus não existe. Mas a ficha caiu, e o desespero bateu. A depressão ressurgiu, a ansiedade encostou, e 2020 virou um dos anos mais difíceis que vivi até agora (acredito que não to sozinha nessa!).

Eu sei que reclamei muito e de barriga cheia (literalmente, enquanto muita gente passou fome), mas não vou dizer que foi fácil parar minha vida e não poder sair de casa enquanto dividia um apartamento de um quarto com o marido gringo (que continuou trabalhando normal e de casa). Foram muitas idas ao WholeFoods da esquina só pra poder ir na rua. E deve ter sido assim que contrai o vírus em abril — sim, apesar de não ter sido confirmado com teste, o profissional de saúde que me atendeu disse que muito provavelmente eu estava com Covid! Nunca tinha tido tanto enjoo, fora a falta de ar e dor no corpo. E sim, tive febre, fiquei derrubada de um jeito que não ficava provavelmente desde a adolescência. Minha imunidade é boa, sempre foi. Acho que por isso não tive nada pior. O marido gringo só ficou mazelado — ele também é ruim de ficar doente. Sou grata por não ter sido nada complicado.

Durante os primeiros meses da pandemia eu tive uma crise existencial (acho que minha vida é uma crise existencial, actually) e acabei decidindo voltar a estudar pra entrar na área de saúde. Foi aí que mudamos de Chevy Chase (morava um bloco de distância de Washington DC) pra Frederick, Maryland. Meio interior, mas o apartamento é espaçoso, tem um parque enorme no quintal, e o melhor: mesmo preço. As coisas melhoraram bastante a partir daí. As lojas começaram a abrir — com capacidade de 50%, então sempre tinha fila pra entrar! E claro, todos de máscara, inclusive na rua. Eu comecei faculdade online, mas com aula presencial uma vez na semana a cada 15 dias. Equipamento de proteção individual era necessário (máscara, luvas, escudo facial, e até aquela veste que vc vê em Grey’s Anatomy!) pra assistir aula.

Viver assim acabou virando algo normal pra mim pra falar a verdade. Eu comecei a gostar da vida antisocial, de esconder parte do meu rosto, de não ter que usar maquiagem pro trabalho. E também comecei a julgar todo mundo que tava levando uma vida como se a pandemia não existisse. Fazendo festas, encontros, saindo pra balada (alô Brasil! To falando de vcs!). Mas a vacina chegou por aqui e o tio Biden deu um jeito de fazer a coisa andar o mais rápido possível. O objetivo era ter uma boa parte da população vacinada até maio — e ele conseguiu! Apesar de todas as teorias de conspiração e anti-vaxxers, enquanto escrevo esse post já são 148 milhões de pessoas (fully) vacinadas só aqui nos Estados Unidos.

Fonte: World Data

Mês passado o CDC (centro de controle de doenças aqui dos EUA) liberou pessoas completamente vacinadas para se encontrarem sem máscara tanto outdoors como indoors, e essa semana NYC retirou todas as restrições e “reabriu” a cidade. Claro que isso não acaba com todos os problemas que a pandemia trouxe. Muita gente não vai superar os traumas vividos e as perdas (financeiras ou emocionais) nem tão cedo. Mas não podemos deixar de celebrar o fato de que os casos estão sim diminuindo, e que o número de mortes despencou (a média atual é do país é de 307/semana de acordo com o NYT).

E falando em vacina, aqui vai meu relato da Moderna!

Eu tomei a primeira dose da Moderna no dia 23 de março. Eu não estava no grupo de idade ainda, mas como eu fui contratada onde fiz meu estágio da faculdade, eu pude tomar. O único efeito colateral que senti foi uma fadiga leve, e uns espasmos absurdos na minha pálpebra direita. Eu só me toquei que era efeito da vacina porque passou depois de alguns dias e não voltou mais. Já a segunda dose vou te falar no bom português chulo: me fodeu. Tomei dia 20 de abril por volta das 1:15 da tarde. Uma hora depois já senti uma leve dor de cabeça. Até aí tudo bem… 12 horas depois veio insônia, febre, dor no corpo. No outro dia eu dormi bastante, e tive febre mesmo. Essa agonia durou até dia 22, ou seja, foram quase 48 horas. Outra coisa que tive (e ainda tenho um pouco) foi uma inflamação na área da minha BCG (aquela vacina que deixa uma marca no braço pra quem já viu, acho que não é tão comum mais). Aqui nos EUA isso não existe, mas achei um estudo com dois casos (mulheres também imigrantes) que tiveram a mesma inflamação. Achei bizarro… Mas se vc quer saber: não me arrependo! Eu me sinto segura vacinada, não só por mim, mas pelas pessoas ao meu redor.

Sobre vida pós?-covid nesse momento: muitos estabelecimentos ainda exigem uso da máscara (porque o governo retirou as restrições, não quer dizer que iniciativas privadas sejam obrigadas a retirar também!). Eu uso máscara no trabalho por ser uma clínica, e sinceramente acho que hospitais deveriam manter essa regra. Ainda uso máscara nos mercados e lojas, mesmo as que não estão obrigando. Nos aeroportos e aviões é obrigatório uso de máscara a partir dos 2 anos de idade, em todo momento exceto enquanto se alimentando, claro. Eu viajei recentemente pro Havaí e eles fiscalizam o uso da máscara dentro do avião sim, pelo menos a linha aérea que usei (Alaska Airlines).

Até hoje nos Estados Unidos foram 601 mil mortes. Ainda existem áreas no país (mais no meio, que é justamente a galera com a mente menos aberta) que os casos ainda preocupam sim. Mas no geral, as coisas estão voltando ao normal. Queria dizer o mesmo do Brasil e outros lugares do mundo, mas infelizmente não é possível agora.

E só pra reforçar, a fronteira para turistas vindo do Brasil pra cá ainda não está aberta! Vc precisa fazer quarentena em outro país que não esteja na lista de restritos pra poder entrar aqui. E precisa do teste negativo de covid-19, claro!

Fontes: Covid 19 in NYC; Estatística de pessoas vacinadas; NYT dados de casos/morte por covid;

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